A grandeza de Deus num frágil corpo humano

A grandeza de Deus num frágil corpo humano

“Jesus viveu entre homens, não como Deus, mas restringindo-se a todas as limitações do corpo humano” “esvaziando-se” de seus interesses, sua glória e majestade, e tomando a forma de um servo humilde. Paulo fala desta humanidade em Fl 2:5-8: Tende em vós aquele sentimento que houve também em Cristo Jesus, o qual, subsistindo em forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus coisa a que se devia aferrar, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz.

Cada detalhe de seu nascimento e infância é livremente escolhido. As circunstâncias de seu nascimento não são acidentais ou casuais. Ele nasce em manjedoura. Ele vive num determinado lugar da história, numa cidade da Palestina, num tempo estabelecido previamente. Nenhum de nós poderia optar pelo pai e mãe, lugar de nascimento, cidade e país de origem, raça, classe social. Jesus, contudo, decide nascer na pequena vila de Belém, de uma família modesta, num período histórico desvantajoso especialmente se comparado com todas as facilidades de saneamento, tecnologia e conhecimento científico que temos nos dias de hoje. Suas prioridades não eram os bens materiais, dinheiro, casa e internet. Seu tempo de espera, antes de lançar publicamente seu ministério aos trinta anos de idade, foi tempo de avaliar o comum, viver o habitual, cuidar das simples tarefas do lar e negócios familiares. Tempo de conhecer os vizinhos, fazer amigos, brincar nos parquinhos, subir nas árvores, etc. Jesus inicia seu ministério pregando as boas-novas do Reino como pregador itinerante. Ele sempre busca encontrar a “ovelha perdida” dentro do coração do aflito, do desanimado, do desencorajado, ou do enfermo. Ele mostra a profundidade do seu compromisso encarnacional com a humanidade ao identificar-se com suas condições humanas, sentindo suas falhas e fraquezas, tornando-se uma pessoa como outra qualquer e capacitando seus discípulos na realização da mesma missão.[1] (2Co 5:21). Como aquela história do homem que transforma-se em formiga para se comunicar com as formiguinhas no fundo do quintal, Jesus aceitou as limitações dasleis naturais estabelecidas em sua própria criação para que pudesse reconciliar o mundo e restaurar seu relacionamento com todos. A maravilhosa disposição de Deus para comunicar sua glória através do frágil corpo humano é a instância mais espetacular de identificação cultural na história da humanidade.

Enfrentamos o desafio de comunicar o evangelho dentro da realidade urbana caracterizada pela violência generalizada, pela péssima distribuição de rendas entre classes sociais, pela miséria infantil e negra, pela cultura da impunidade que aumenta o sentimento de injustiça social, pelo sensualismo e individualismo e pela superficialidade espiritual. Como podemos obedecer a Jesus? Como encontrar as pessoas em meio a suas situações concretas? Como podemos nos relacionar melhor com as pessoas, inserindo-nos em seu contexto, compreendendo suas circunstâncias e entendendo suas fraquezas e inseguranças com o mesmo sentimento de graça que havia em Jesus?

Jesus nos preparou para essa missão encarnacional. Ele não deixa simples receitas, fórmulas ou métodos aos seus discípulos. Ele mesmo é o modelo de identificação total que precisamos seguir e obedecer. Jesus mergulha a si mesmo na cosmovisão da época. Ele cresce e vive como judeu, assimila a cultura do oriente médio, conhece seus valores, estuda sua Tora, compreende suas crenças, engaja-se em diversos assuntos relevantes à maior parte das pessoas. Jesus identifica seu ministério com as palavras de Isaías 61: 1 e 2: O Espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu para pregar boas-novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos; a apregoar o ano aceitável do Senhor e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os tristes;

Jesus demonstra como devemos traduzir a mensagem do evangelho em relacionamentos amorosos e ações sociais que reflitam a atitude de serviço e diaconia, santificação e comunhão. Todo e qualquer estilo de liderança deve atrair a atenção unicamente para Jesus, nunca para si mesmo. D.T. Niles faz muito bem em nos lembrar que a igreja é como um mendigo que conta para outro mendigo: “Eu sei onde tem comida!”

Luciano Jamarillo CÁRDENAS. Boletim Teológico/FTL-Brasil, p. 11.
Citado em John STOTT. The Contemporary Christian, p. 357.
Darrell L. GUDER. Ser Testigos de Jesucristo, p. 46.
Rubens Muzio

Rubens Muzio

Rubens Muzio é missionário Sepal, Pastor da Igreja Presbiteriana de Vila Judith, Londrina e coordena o Projeto Brasil 21.
Pastoreou em São Paulo e no Canadá por mais de 10 anos. Leciona disciplinas na área de Teologia Prática: Liderança, Desenvolvimento e Gestão Ministerial, Plantação e Crescimento de Igrejas, Missões Urbanas e Espiritualidade integral.
Visite rubensmuzio.org e saiba mais sobre o missionário e seu projeto.
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