Ela não me entende

Ela não me entende

Texto de Marcos Quaresma

Um homem fala de 6 a 8 mil palavras por dia, uma mulher cerca de 20 mil palavras.¹

O dado acima mostra que o desafio do entendimento entre dois seres semelhantes e ao mesmo tempo tão diferentes não é uma tarefa fácil.

Desde cedo, meninos e meninas são ensinados a expressarem suas emoções de formas diferentes, o que influenciará a comunicação conjugal futura. Elas são orientadas a serem mais emocionais, eles mais racionais. Meninas quando sofrem uma queda, choram bastante e as amiguinhas correm para consolar.

Quando estão felizes, gritam e dão risadas extravagantes sem qualquer cerimônia. Já os garotos quando caem, os colegas dizem de pronto: “levanta, rapaz, homem não chora”. Ele faz careta, engole o choro e envergonhado silencia sua dor. A alegria deles é manifesta de forma mais evidente nas vitórias em competições, onde o mais forte é honrado. Masculinidade é conquista!

Assim a mulher, menina crescida, aprendeu que na sua insatisfação pode expressar seus sentimentos livremente. O homem, menino grande, que aprendeu a aguentar o sofrimento calado, não entende porque elas reclamam tanto por coisas tão pequenas como uma toalha molhada sobre a cama ou a pasta de dentes aberta na pia. Elas não aceitam a insensibilidade de um homem que troca um sábado á tarde em família por um jogo de futebol com os amigos suados, ou deixa de dormir com ela em casa para passar a noite com outros homens pescando e sendo picados por mosquitos. Há homens que se irritam diante de tantas reclamações que pensam: “não posso mais viver com ela”, e logo concluem: “mas também não posso viver sem ela”². Para melhor compreensão assista ao vídeo: Diferenças entre o cérebro masculino e o feminino, postado no You Tube.

Não é fácil para uma mulher afetiva que prepara o almoço, digita textos no computador e ensina as tarefas escolares ao filho, entender um homem racional que só consegue ir ao supermercado com uma listinha feita pela esposa e o celular ligado para qualquer emergência.

Mas ao perceber a singularidade e diferenças, o casal deve criar um espaço de diálogo no qual cada um exponha suas expectativas em relação ao casamento, pois é a comunicação que enriquece a conjugalidade. Gn 2.25 diz que “o homem e sua mulher estavam nus e não se envergonhavam”. A aceitação da nudez do outro fortalece o vínculo conjugal. É necessário que cada pessoa se pergunte:

“Serei capaz de conversar com ele/ela até o fim da vida sem enjoar?”.³

Essa é a expectativa do Senhor em relação ao diálogo do casal: transparência nas motivações, verdade nas palavras e afeto nas ações.

Pv 27.15 diz que “O que acha uma esposa acha o bem e alcançou a benevolência do SENHOR”, mas a mulher rixosa é semelhante ao “gotejar contínuo no dia de grande chuva” Pv 18.22. Um dos melhores exemplos bíblicos de compreensão conjugal é o da Mulher Virtuosa em Pv 31.10-31. Essa história mostra o que faz uma mulher que busca entender o seu marido, vejamos:

1. Ela olha para si mesma, como alguém de autoestima elevada. Tal postura contagia de forma positiva sua comunicação conjugal (v.10);
2. Inspira confiança do marido (v.11);
3. Busca o bem dele e não apenas interesses próprios (v.12);
4. Coopera sem reservas com os projetos de sua casa (v.13 a 18).

Essa mulher conseguiu entender o seu marido e tal compreensão refletiu de forma positiva em sua família. Pv. 14.1 diz que “Toda mulher sábia edifica a sua casa; mas a tola a derruba com as próprias mãos”.

Havendo um maior esforço e investimento das partes envolvidas na comunicação conjugal, homens e mulheres se compreenderão melhor e as famílias serão mais felizes.

Amém!!!

¹ PEASE, Allan e Bárbara. Porque os homens fazem sexo e as mulheres fazem amor? Rio de Janeiro, Sextante,
2000, pg. 66, 67.
² TROBISCH, Walter. Amor, sentimento a ser aprendido. São Paulo, ABU, 1981, pg.6.
³ ALVES, Rubem. Retratos de amor. São Paulo, Papirus, 2002.

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