Segunda chance.

Segunda chance.

Texto de Sebastão Junior

“Barnabé, levando consigo a Marcos, navegou para Chipre”. Atos 15:39

No último artigo, olhamos para o retorno inexplicável de João Marcos de sua primeira viagem missionária, ao lado de Barnabé e Paulo. Tal atitude chega a transparecer fracasso em sua caminhada vocacional. Afirmamos a partir disso que todo jovem líder tem o direito de fracassar, ao mesmo tempo, entendemos que fracassar não nos leva a ser um fracasso. A beleza de andar com Deus esta nisso, é que a gente “cai pra frente”, “cai, já recebendo o convite pra ficar em pé”.
Sem dúvida, o reino de Deus tem como particularidades histórias de recomeços, e a de João Marcos é uma dessas histórias. Em Atos 15: 36-39, diante do desafio de uma nova viagem missionária, surgiu uma diferença de opinião entre os dois homens sobre levar Marcos uma segunda vez. Paulo era contrário à proposta, pois, segundo ele, Marcos se desviara da viagem anterior e, pelo o que se supõe, sentia que o mesmo fato poderia se repetir. Barnabé, por sua vez, estava disposto a aceitar o risco uma segunda vez, motivado, decerto, pelo desejo de dar ao jovem uma segunda oportunidade para comprovar seu valor, sem dúvida mostra o caráter simpático de Barnabé. Paulo, porém, se preocupava mais com a missão, e não se dispôs a levar um companheiro duvidoso.

Relatos como esse me faz olhar para Barnabé como alguém especial. Em alguns momentos se torna mais cômodo, simples e óbvio desistir de quem já fracassou, nos parece algo justificável. Acreditar em quem já falhou, dar responsabilidade para quem já foi irresponsável, nos parece um risco muito alto. Vemos que a nossa segunda chance para alguém que deseja recomeçar sempre esta cheia de reservas, com uma série de privações. Barnabé decidiu assumir o risco, não vendo quem fracassou como um fracasso.

Ao analisar este trecho da história de João Marcos, retiro algumas lições práticas para você que deseja recomeçar, ou esta ajudando pessoas em seu desejo de recomeçar.

Primeiro, na missão de Deus para alcançar os que estão à Caminho, haverá sempre uma chance para aqueles que caíram, mesmo depois de estarem no Caminho. Diante do fato melancólico da separação dos dois grandes amigos, Paulo e Barnabé, vemos Deus no controle de todas as coisas, usando esse fato como uma segunda oportunidade para Marcos.

Segundo, confie unicamente na graça de Deus. Somente através dela nos livraremos da culpa, perceberemos que a força para realizar qualquer tarefa ministerial não vem de nós, somos apenas vasos de barro que carregam consigo um tesouro.

Ter humildade para reaprender faz parte da terceira lição. No mínimo os nossos erros deveriam produzir em nós a humildade, não tem como recomeçar na vida, carregando seus velhos hábitos, deve-se estar pronto para reaprender, para dizer “eu não sei”, “preciso de ajuda”.

A quarta lição, encontre um “Barnabé”. Alguém disposto a assumir os riscos e acreditar novamente em quem fracassou. É necessário gente que resgata a dignidade dos indignos, que encoraja quem perdeu as forças, que acolhe na dor, ampara no sofrimento, abre o caminho para os recomeços.

Por último, faça do seu recomeço o início da sua melhor e mais bela história. Nos próximos artigos veremos os resultados desde recomeço na vida de João Marcos, porém, posso adiantar que foi o início de uma nova história cheia de vida, de encontros e reencontros, de senso de vocação e missão. Que Deus use a chance que temos de recomeçar para escrever a melhor história de nossas vidas!

Deus abençoe os recomeços!

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