“Igreja e discipulado”: entrevista especial com David Kornfield

“Igreja e discipulado”: entrevista especial com David Kornfield

[vc_row][vc_column][vc_column_text]Entenda a importância de ser um líder discípulo e discipulador, faça a diferença e influencie positivamente aqueles que Deus trouxer à sua comunidade

Por que o discipulado é importante para a igreja e para o cristão? De que forma os pastores e líderes devem se engajar para formar em suas comunidades verdadeiros seguidores de Jesus e não apenas pessoas que seguem uma religião nominalmente? Quais são os impactos sociais de uma congregação atuante e discipuladora? E como viver o sublime convite expresso na Grande Comissão de Mateus 28? Para responder a essas e outras perguntas, conversamos com David Kornfield, preletor do Encontro Sepal 2019.

David é doutor em Educação pela Universidade de Chicago, missionário da Sepal (OC Internacional) e coordenador da Aliança Evangélica Mundial do Grupo de Trabalho de Pastoreio de Pastores. Autor de mais de vinte livros, é fundador de organizações que servem a pastores e líderes, como o MAPI (Ministério para Apoio de Pastores e Igrejas) e a REVER (Restaurando Vidas, Equipando Restauradores). Em entrevista exclusiva ao time de comunicação da Sepal, Kornfield compartilha sua vasta experiência em questões relacionadas ao discipulado, fala sobre as prioridades que devem nortear a agenda do líder cristão e aponta um caminho frutífero para quem deseja atrair mais pessoas a Jesus. Um conteúdo imperdível. Confira!

Sepal: Como a Igreja de nossos dias pode e deve viver Mateus 28.19-20?

David Kornfield: Em primeiro lugar, através de não deixar de viver o versículo 18 nem de deixar de observar os versículos 16-17. Quem ignora o versículo 18, que traz a afirmação de Jesus: “Toda a autoridade no céu e na terra me foi dada”, faz o discipulado em sua própria autoridade e poder, facilmente distorce o discipulado por não estar debaixo de autoridade, submetido como um aprendiz. Das muitas lições embutidas nos versículos 16-17, a maior é a que tudo começa na primeira frase: “os onze discípulos”. A única pessoa que pode fazer discípulos é aquela que é discípulo. É impossível reproduzir o que não somos. Muitos dos que supõem ser discipuladores não o são porque não são discípulos.

Quais são os desafios de nosso tempo para atender a esse chamado?

Os desafios são imensos. Não temos mais uma cultura de discipulado em nossas igrejas, seminários e institutos bíblicos. Ela é tampouco vivenciada pela maioria de nossos líderes denominacionais. A maioria dos pastores nunca aprende a ser discípulos, muito menos discipuladores. Se eles não o são, não há muita esperança para suas igrejas. Por isso acredito tão firmemente no valor indispensável do discipulado e pastoreio de pastores. Acredito de forma profunda que pastores e discipuladores saudáveis são a maior chave para uma igreja ser saudável e também discipuladora. Estou dando minha vida a essa visão e procuro outros que fazem ou querem fazer o mesmo.

O que é, de fato, fazer discípulos? O que pode acontecer quando se incentiva a evangelização, mas o acompanhamento dos novos convertidos é negligenciado?

Um discípulo é uma pessoa que cresce intencionalmente com a ajuda de outra pessoa. O discipulado é uma relação comprometida e pessoal em que um discípulo de Jesus Cristo ajuda outro discípulo a tornar-se mais como Jesus e, assim, reproduz. O discipulado cristão é a multiplicação de pessoas com a vida e missão de Jesus Cristo.

Estimular o evangelismo sem seguimento e sem discipular os novos convertidos é parecido a dar à luz fisicamente e não cuidar do bebê depois. Isso é contrário a todas as leis e ao instinto natural de um pai. Cada pessoa que chega a Jesus através de nós ou nossa igreja é como um dos talentos da parábola que Cristo contou. Algum dia, Deus pedirá contas sobre esses “talentos”. Os que não investiram neles e com eles, os que não os multiplicaram de forma sadia, terão de prestar contas ao Rei na sua volta. Essa cena não será nada agradável. Os que tiverem “talentos” multiplicados para entregar ao Rei ouvirão as palavras “Muito bem, servo bom e fiel. Venha e participe da alegria do seu Senhor”!

Quais são os benefícios do discipulado, tanto para a vida do cristão quanto para a Igreja como um todo?

Os benefícios são difíceis de enumerar porque não acabam. Na verdade, já que o verdadeiro discipulado é multiplicador, eles se multiplicam! Resumindo, podemos dizer que se revelam em três grandes esferas:

1) Uma crescente relação com Deus que traz alegria ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, junto com a alegria do próprio discípulo;

2) Um crescimento qualitativo e quantitativo da igreja. Cada um de nós é agente motivador de crescimento para as pessoas ao nosso redor. Isso pode ser uma tragédia ou uma alegria dependendo se estamos crescendo intencionalmente com a ajuda de outros. Esta frase: “crescer intencionalmente com a ajuda de outros” é sinônimo, a meu ver, de ser discípulo;

3) A revelação de Jesus para os não crentes. Nosso amor e estilo de vida parecido com Jesus convence quem ainda não partilha da fé e da vida cristãs acerca de quem o Senhor é.

Como os pastores e líderes cristãos podem despertar a Igreja para ser uma Igreja que faz discípulos de Cristo e não meramente cristãos nominais, não praticantes?

Tudo começa com ser discípulos. Nunca haverá um avivamento da igreja quanto ao discipulado se os pastores não experimentarem o discipulado ou mentoreamento em suas próprias vidas. Todo verdadeiro discípulo se torna discipulador, reproduzindo discípulos. Se não temos uma igreja de discípulos é porque o pastor não é discipulador. Hoje, os pastores estão ocupados com tudo e qualquer coisa menos com a missão de fazer discípulos. Jesus vivia uma vida simples, não fazendo quase nada das muitas atividades dos pastores de nossos dias, para poder dedicar-se ao discipulado.

E o que é ser um verdadeiro discípulo de Cristo? Quais são os desafios para viver essa experiência de forma autêntica?

Bonhoeffer o colocou assim nas primeiras palavras de seu livro Discipulado: “Quando Cristo chama um homem, ele pede que ele venha e morra”. O requisito de negar a si mesmo, tomar a sua cruz e seguir Jesus é duro demais na cultura que exalta e celebra o humanismo, o individualismo, o relativismo e o hedonismo.

O desafio cresce porque é impossível ser um verdadeiro discípulo de Jesus sozinho. Requer uma comunidade para criar essa cultura e para ser uma mostra contracultural. A cultura mais difícil para confrontar hoje não é muito diferente da época de Jesus: é a cultura religiosa e eclesiástica que está absorvendo os valores do mundo.

Discipulado é uma prática que deve ser dedicada apenas para quem é novo na fé?

Uma das maiores mentiras que Satanás conseguiu vender para a igreja é a que o discipulado é apenas para novos convertidos. Não era assim para Jesus. Para o Senhor, o discipulado focava a liderança principal da igreja. Focava os pastores e apóstolos que ele estava formando. É impressionante que, em meio à formação de seus discípulos, Jesus os enviou como mensageiros, como apóstolos. Mas apenas ao final de seu ministério os enviou como discipuladores. Em certo sentido, o chamado a ser discipulador é maior do que o chamado a ser apóstolo!

E o que dizer em relação aos cristãos desanimados e desiludidos com a Igreja. De que forma a grande comissão também nos convida a ir ao encontro dessas pessoas?

A decepção com a igreja, especialmente entre a nova geração, tem tudo a ver com a falta de verdadeiros cristãos, verdadeiro cristianismo e verdadeiro discipulado; tem a ver com religiosidade, falta de amor, falta de relacionamentos comprometidos e saudáveis. Ao mesmo tempo, os que estão decepcionados e tristes com a igreja têm de avaliar se eles têm uma tristeza segundo o mundo ou tristeza segundo Deus (2Co 7.8-11). O primeiro leva a desanimar-se, sentir peso e se isolar. O segundo leva a motivar-se, a arrepender-se e a ir atrás de Deus e das pessoas para encontrar a solução.

Quais são os impactos sociais e os benefícios que podem ser colhidos por uma igreja atuante, missionária, espiritual e transformadora?

O impacto e benefício de uma igreja assim é a edificação de pessoas, grupos, organizações, bairros, cidades e nações transformadas. Seis palavras resumem esse processo: pastor saudável, igreja saudável, comunidade saudável. O sal e a luz que somos inevitavelmente fará diferença na sociedade, como a história demostra.

O senhor e sua esposa participarão do Encontro Sepal 2019 e compartilharão com o público plenárias que abordarão temas importantes para a formação de pastores e líderes cristãos. Qual é a sua expectativa para a ocasião?

Meu sonho é que não seja apenas um evento. O tema de discipulado que está fluindo no encontro de 2019 será aprofundado ainda mais no próximo, em 2020. Meu sonho é que possamos superar o “eventismo”, para criar um processo e um movimento de crescimento contínuo e sinergético de igrejas que intencionalmente fazem discípulos. Eu sonho que o Encontro Sepal possa ser um catalizador para igrejas criarem movimentos de discipulado dentro de si que brotam e se multiplicam.

Uma mensagem aos leitores.

Entre no movimento de discipulado! Seja um verdadeiro discípulo para poder ser um verdadeiro discipulador. Seja um aprendiz eterno com a humildade de saber que não chegou ainda, mas que faz uma coisa: esquecendo-se das coisas que ficam para trás, avança para as que estão adiante de você. Seja discípulo. Seja discipulador. Multiplicando-se, ouvirá a voz de seu Amado, dizendo: “Entre na alegria do seu Senhor”! •

Saiba mais sobre o Encontro Sepal 2019!

O evento acontecerá entre os dias 6 e 10 de maio em Águas de Lindóia, São Paulo. Durante quatro dias, pastores e líderes cristãos de todo o Brasil estarão reunidos para o estudo, a reflexão e a troca de vivências em assuntos relacionados à igreja brasileira. Para obter mais informações, acesse: encontrosepal.org.br.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]

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