A Paixão e as paixões – Pátria amada, idolatrada

A Paixão e as paixões – Pátria amada, idolatrada

“De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz.” Filipenses 2:5-8

Na semana em que celebramos a paixão de Cristo, é extremamente pertinente uma atenção reflexiva sobre os fundamentos e as convicções que dão sentido à nossa fé e às nossas ações, especialmente em dias tão incertos como os que vivemos no Brasil.

A paixão de Cristo é como denominamos as Suas últimas horas de vida; todo o percurso trilhado por Ele até o Calvário e a crucificação. A rigor, a paixão de Cristo foi o propósito de uma vida inteira cuja inspiração era a sede e a fome de cumprir a vontade do Pai. Sua pessoa, Sua obra e Seus ensinamentos dão os contornos à Sua paixão.

A igreja, seguidora do Cristo, não é movida por quaisquer outras paixões, que não a do Mestre. A mesma que o trouxe numa manjedoura e o levou numa cruz.

A Igreja, seguidora do Cristo, é comprometida com o seu tempo, inspirada por Aquele que, movido por íntima compaixão, não foi indiferente à realidade histórica do seu povo, com toda a sua complexidade e desafios.

A Igreja, seguidora do Cristo, encontra na Sua morte e ressurreição a fonte de toda a esperança que a conduz, na expectativa inabalável de que o novo de Deus sempre está à porta, “porque Ele vive, posso crer no amanhã”.

A Igreja, seguidora do Cristo, nutre respeito e obediência às autoridades terrenas que trabalham para o bem comum, porém ela mesma não tem pretensões de poder temporal e nem cultua os que o buscam, porque ela sabe que esses poderes serão sempre relativizados pela soberania de Deus, Rei sobre tudo e todos e que não é e nem será a pátria terrena a residência do seu tesouro maior.

A Igreja, seguidora do Cristo, enquanto aguarda a Sua volta, serve ao próximo em amor e compaixão, na medida em que entende sermos todos feitos à imagem e semelhança de Deus e que, portanto, ao interagirmos com o outro, o faremos no mais absoluto respeito pela dignidade humana, no cumprimento às leis e na busca por promover a justiça.

A Igreja, seguidora do Cristo, é replicadora da mensagem redentora de Deus ao mundo perdido e sem salvação. Porque o coração endurecido dos homens, de hoje e de todos os tempos, anda sedento, necessitado da poesia divina; do LOGOS de Deus.

Amamos o Brasil, e será no serviço ao Rei Jesus, submissos à Sua Palavra, que serviremos também à nossa pátria terrena.

Água Benta

Veio do Pai, querido dos seus
Cresce aprendiz de carpinteiro
Volta pra o céu, ferido de Deus
Morre pregado ao madeiro

Usa o poder para servir,
lava meus pés a seguir
Messias, meu Deus-Sofredor

O corpo inteiro encharcado
de escárnio, de sangue e pecado
Abre as represas do amor!

Lava os palácios dos reis,
lava o pecado das ruas.
Água que desce da cruz,
Lava o Brasil de suas culpas.

Mata essa sede da gente,
mata essa fome indecente

Água abençoada do céu,
transborda paz e justiça
De uma toalha e bacia,
quando já não mais se cria,
Cria! Cria!
Cria do nada, harmonia!

Pr. Daniel de Almeida Jr. é missionário da Sepal e coordenador do Núcleo de Missões Urbanas da Aliança Evangélica.