“Nenhum soldado se deixa envolver em assuntos da vida civil, pois se o fizesse não poderia agradar o oficial que o alistou”. (2 Timóteo 2:4)

Muitos pastores terminam sua trajetória ministerial de maneira muito triste porque envelheceram e já não usufruem o mesmo vigor para o ministério, passam a ser sustentados por outras pessoas e muitas vezes, tornam-se um peso para a família. Isso, porque estavam tão comprometidos com o ministério que não podiam envolver-se com “as coisas desta vida”.

A experiência do próprio Paulo como “fazedor de tendas” já seria suficiente para compreendermos que não se envolver com os negócios desta vida não está relacionado aos negócios em si, mas sim com a motivação e a sua legitimidade.

Por motivação é só perguntar “Por que vou investir nisto?” Se a resposta for o bem estar da família, isso já seria nobre para começar a considerar.

Perguntas que podem ajudar-nos a discernir a nossa motivação e legitimidade:

Quanto tempo? Onde? Com quem? É justo? É de boa fama? É um desafio que posso levar por quanto tempo? É um socorro presente na angústia? Por que poderia ser uma armadilha? De que forma poderia somar com o ministério?

Se não damos atenção a estas questões, acabamos não só por diminuir a nossa qualidade de vida, mas por ameaçar o nosso futuro.

E, se formos mais honestos com o contexto das Cartas Pastorais, leríamos: “Suporte comigo os sofrimentos, como bom soldado de Cristo.” (2 Tm. 2:3)

A legitimidade também está relacionada, de forma direta, com os sofrimentos a favor do Evangelho.

As angústias do Evangelho devem ser as minhas, e por muitas vezes “estar fora” do contexto eclesiástico integral, existe uma oportunidade de ver estampada as razões porque Cristo sofreu, o que se configura em uma oportunidade singular de partilhar o Evangelho.

Por isso, “Business as Mission” é mais que bem-vindo, não apenas em países em que o “missionar” é explicitamente proibido. Não pode ser mais visto como uma estratégia para quem não tem opção. Trabalhar ou participar de atividades paralelas precisa ser intencional para provocar relacionamentos.

Cada vez mais, o campo missionário e o mundo precisam de gente que trabalha “secularmente [1]”, porque em algumas realidades é somente desta maneira que os missionários poderão testemunhar sua fé, de forma que sejam ouvidos, porque antes de os ouvirem, viram-nos viver.

“Não há um centímetro quadrado em todo o domínio de nossa existência humana, sobre a qual Cristo não clama: “É Meu!” (Abraham Kuyper)

Aliás, diga-se de passagem, que a ocupação com uma atividade paralela pode ser uma das poucas oportunidades de humanizar um pastor, um missionário, onde ele será chamado pelo nome, e será tido como um “sujeito normal”, gente como toda gente.


@vacilius.lima

A propósito, também Professor

[1] A expressão “secularmente” é carregada do significado de quem divide o mundo em duas realidades. Espiritual e material, santa e profana. Precisamos cuidar. Tudo é de Deus e para Sua glória.