As crianças são por vezes as vítimas invisíveis numa situação de crise. O seu comportamento externo de brincar e rir, pode camuflar a dorinterior e a confusão que elas estão sentindo. Como as crianças estão menosaptas para compreender o contexto e o significado de um trauma, podem tirarconclusões erradas sobre o que aconteceu.

Alguns podem até pensar que fizeram algo para ocasionar a crise. Normalmente, as melhores ajudas para as crianças durante uma crise, vem dospais e de seus cuidadores, que já têm uma relação de confiança com elas. Istosignifica que os colegas envolvidos na resposta às crises geralmente assumemum papel de apoio, como treinadores dos cuidadores primários, nãorespondendo diretamente às crianças sobre a crise.

As crianças se beneficiarão de:

  • Uma explicação básica do que aconteceu (evite expô-los a detalhes traumáticos)
  • Uma oportunidade de fazer perguntas esclarecedoras
  • Instruções simples sobre as difíceis reações físicas e emocionais que podem estar passando
  • A garantia de que elas não são culpadas pelo que aconteceu
  • Lembrá-las de que estão seguras agora (ou levá-las para um ambiente mais seguro)
  • Um retorno para uma rotina estruturada, previsível.

Os adultos podem ajudar as crianças das seguintes maneiras:

  1. Ouvindo-as atentamente quando mencionam seus medos ou quiserem falar sobre eles.
  2. Dando-lhes a oportunidade de falar sobre o que aconteceu e como se sentem.
  3. Perguntando à criança o que ela acha que aconteceu e por quê, para descobrir se não foram feitas conclusões ou conexões erradas. Fiqueatento a sinais em que as crianças estão se culpando pelo que aconteceu.Tranquilize-as de que não são as culpadas pelo ocorrido.
  4. Dando-lhes a oportunidade de fazer um desenho do que aconteceu e de como se sentem.
  5. Instruindo-as sobre a situação de crise. Embora não precisem saber todos os detalhes, elas serão beneficiadas com uma explicação coerente,que preencha as lacunas com informações importantes. Dê-lhesexplicações claras, simples e verdadeiras sobre o que aconteceu.
  6. Usando livros, fotos, obras de artes ou vídeos para ajudá-las a compreender e incentivar a resolução e o enfrentamento positivos deproblemas.
  7. Mantendo-se calmo na sua presença e limitando a sua exposição aos medos relacionados com os adultos, às discussões sobre a crise ou àsreportagens nas mídias.
  8. Como adultos, comprometendo-se com um processo de restabelecimento emocional e de estabilidade, uma vez que a formacomo as crianças lidam com a situação será grandemente influenciadapelo que observam e sentem nos pais e em outros adultos importantespara ela.
  9. Orando com elas e tranquilizando-as com as promessas de Deus.
  10. Tentando evitar momentos de separação. Passem ainda mais tempo juntos em família. A separação temporária dos pais durante eventoscríticos pode levar à ansiedade da separação mais tarde, o que incluimedos intensos de estar longe dos pais e de que algo ruim possaacontecer com a mãe e o pai. Para crianças que apresentam ansiedadede separação após um trauma, tente evitar inicialmente separaçõesprolongadas. Em separações inevitáveis, peça-lhes que fiquem comalguém familiar, explique para onde vão e quando voltarão. Contate-asfrequentemente durante sua ausência.
  11. Certificando-se de que ambos os pais concordam sobre qual a abordagem escolhida de ajuda para os filhos.
  12. Conversando com os pais de outras crianças que passaram pelo mesmo trauma. Será bom tentar ter uma história semelhante para que, quandoas crianças conversarem, não aprendam novos detalhes com outrascrianças.
  13. Entenda que as crianças podem experimentar um comportamento regressivo após uma crise, o que inclui enurese noturna, vontade dedormir com os pais ou pesadelos. Seja paciente e tranquilize-as.Consulte um médico se os sintomas físicos persistirem por mais dealgumas semanas.
  14. Ajudando as crianças a desenvolverem habilidades de enfrentamento e convidando-as a participar no processo de elaboração de ideias parareduzir a ansiedade e aumentar a capacidade da gestão do medo (porexemplo, memorizar as escrituras, ouvir música, orar).

Evite dizer ou fazer estas coisas:

  1. Qualquer coisa que menospreze ou minimize a experiência da criança (por exemplo, rir dela ou dizer que ela está sendo boba).
  2. Qualquer coisa que possa criticar ou envergonhar a criança.
  3. Ignorá-la ou ignorar suas reações e esperar que isso desapareça com o tempo.
  4. Dar atenção excessiva ao medo.
  5. Compará-la com irmãos ou irmãs que talvez não tenham medo.
  6. Incutir medos na criança, dando-lhe muitos detalhes sobre o acontecimento ou contando-lhe sobre outras tragédias.
  7. Se alguém falecer, não use eufemismos como “ele está dormindo” ou “ele foi embora” ou “Jesus precisava mais dele do que nós”, pois pode causar mais danos do que benefícios. Uma criança que compara a morte com o sono pode desenvolver uma ansiedade significativa ao ir para a cama ou antes de adormecer ou também dizer para criança que Jesus precisava daquela pessoa mais do que nós, pode criar ressentimentos em relação a Deus.
  8. Não permita que as crianças enxerguem seus medos e preocupações, isso pode aumentar sua ansiedade ainda mais.
Sobre as ferramentas do Crisis Debriefing Training, ministrado pela Barnabas International

Essas ferramentas foram desenvolvidas como parte de um treinamento de 5 dias chamado Crisis Debriefing Training, ministrado pela Barnabas International (www.barnabas.org). Elas sãomais utilizadas por aqueles que receberam esta formação, mas podem ser úteis para cuidadoresleigos que se deparam com situações de crises. Essas ferramentas podem vir a ser úteis quandovocê estiver em campo, prestando atendimento à crises.

Antes de enfrentar uma situação de crise, você pode dar uma olhada nesses artigos e pensar em quais deles poderiam ser mais relevantes para o momento. Foi concedida a permissão para usoe cópia desses materiais sem fins lucrativos, sem edições nos artigos e para uso dentro doslimites de sua competência.

Segue abaixo a lista das Ferramentas:

  1. Avaliação de crises – modelo BÁSICO
  2. Perguntas frequentes sobre o debriefing de crises
  3. Visão geral das sete etapas do debriefing crises
  4. Reações comuns ao trauma – ADULTOS
  5. Reações comuns ao trauma – ADOLESCENTES
  6. Reações comuns ao trauma – CRIANÇAS
  7. Gatilhos pós-trauma
  8. Técnicas de Ancoragem
  9. Respiração profunda
  10. Relaxamento muscular progressivo
  11. Controle de raiva
  12. Maneiras de lidar com um trauma
  13. Ajudando crianças em meio a crises
  14. Inventário de estresse de obreiros transculturais
  15. Compreendendo o luto
  16. Diretrizes para o encaminhamento
  17. Documentação de respostas à crises – Ações e Recomendações

Tradução em Português:

Diogo Tenório Militão, casado com Débora. Missionário SEPAL. Psicólogo graduado pela UNIFOR, possui pós-graduação em Aconselhamento Pastoral pela FTSA e é Mestre em Cuidado Transcultural pela All Nations, naInglaterra. Com 20 anos de experiência em missões transculturais, atualmente trabalha diretamentecom o cuidado de missionários, especialmente com ênfase em cuidado clínico.

Lailah Bossan Quaresma, casada com o piloto Rodrigo e mãe de três meninos(um jovem e doisadolescentes). Há 21 anos, trabalha com aviação missionária na Amazônia Brasileira, como parte daMissão do Céu. É Conselheira Bíblica licenciada pela ABCB e pós-graduada em Tradução de Inglês,atuando no cuidado de famílias missionárias.