Diante do turbilhão de notícias, aquiete-se por um instante e busque a comunhão com Deus

 Por Cleiton Oliveira

Tempos como o que estamos vivendo — em que as manchetes nos chocam e emudecem — trazem consigo uma mensagem em suas entrelinhas: precisamos silenciar nossa mente agitada, parar com o ativismo desenfreado, meditar seriamente na Palavra de Deus, orar sobre a realidade do mundo e descansar, pela fé, nas promessas do Pai. Podemos — e devemos — trazer à memória o que nos pode dar esperança (Lm 3.21), entregar nossos fardos a Cristo (Mt 11.21), deixar-nos “abraçar” pelo Deus que nos ama (1Jo 3.1).

Ao passar tempo com o Senhor, pela meditação nas Escrituras e pela oração, encontramos alívio. São nesses momentos de íntima comunhão que Ele nos faz enxergar além das nuvens turbulentas, trazendo-nos paz que excede todo entendimento e uma serenidade que nos capacita a esperar a próxima manhã com paciência. Ao rememorar os seus grandes feitos, somos instigados a jamais esquecer que Ele continua sendo o mesmo ontem, hoje e sempre (Lm 5.19; Hb 13.8).

Embora pequenos em meio à imprevisibilidade da vida, temos um Pai que conhece nossa fraqueza e nos convida a não ficar ansiosos. Constatamos isso ao refletir sobre as palavras de Jesus, nosso Salvador, que nos anima a olhar para as aves dos céus e para os lírios do campo e a entender que, embora estejamos num contexto de incertezas, há uma certeza na qual podemos descansar e que faz toda diferença: Deus cuida de nós (Mt 6. 25-34; 7.7-11).

“[..] não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã trará suas próprias inquietações. Bastam para hoje os problemas deste dia” (Mt 6.34, NVT).

Infelizmente, não poucas vezes, tendemos ao pessimismo, à dúvida e ao desespero quando tudo parece virar de cabeça para baixo. Deixamos que o medo embace nossa visão e nos entorpeça.

“Eis que nas palmas das minhas mãos te gravei” (Is 49.16)

Charles Spurgeon (1834-92) compartilha uma perspectiva sublime sobre a passagem de Isaías 49.16: “Eis que nas palmas das minhas mãos te gravei” (ARA). Ao expor o texto, o Príncipe dos pregadores afirma que não apenas nosso nome está gravado nas palmas das mãos de Deus, mas também nossa pessoa, nossas situações, circunstâncias, tudo relacionado ao nosso ser. Desse modo, chama a atenção do leitor com a seguinte pergunta: “Você conseguirá dizer novamente que o seu Deus o abandonou quando Ele o gravou nas palmas de Suas mãos?”². Pare por um momento e reflita: Será que Deus nos abandona quando mais precisamos de sua ajuda?  A resposta é: não!

Será que Deus nos abandona quando mais precisamos de sua ajuda?
A resposta é: não!

Diante da pandemia do coronavírus e de todas as aflições que ela traz, apegue-se à confiança de que Deus continua tendo o mundo em suas mãos onipotentes. Faça a sua parte, proteja-se e informe-se, não se arrisque. E no que você, como ser humano, não pode controlar, saiba que sua vida e a de seus familiares estão sob o cuidado do Pai. Em meio às tormentas de nossa experiência sobre a terra, o amor de Deus é a certeza que nos conforta. Nele podemos descansar. •

Citações:

² Spurgeon, Charles Haddon. 1834-92. Dia a dia com Spurgeon — manhã e noite: meditações diárias. Curitiba, PR. Publicações Pão Diário. Pg. 634.

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